Um Sertão Azul
A Faculdade Santa Maria, instalada no coração do Sertão da Paraíba, na cidade de Cajazeiras, dedicou parte do ano de 2019 a um grande projeto científico, que nasceu do entusiasmo inicial de seus professores e ampliou os resultados para além das áreas inicialmente delimitadas.
O trabalho de campo, nomeado Expedição Caatinga, adotou como roteiro uma ampla região que incluiu os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Piauí, tendo como objetivo resgatar saberes populares sobre plantas medicinais que são encontradas na natureza.
O projeto, segundo Sheylla Nadjane Lacerda, uma das diretoras da FSM, teve como foco o Bioma Caatinga, sobretudo sua cobertura vegetal, e a preocupação em conhecer e preservar os conhecimentos populares, pois como destacou a professora e coordenadora da expedição, Samara Brito “esse conhecimento está sendo perdido porque as pessoas mais velhas estão morrendo e os mais novos, por vários motivos, estão saindo cada vez mais cedo do campo. A ciência precisa desse conhecimento popular para prosseguir”.
Durante meses de pesquisa e cinco estados do Nordeste visitados, os olhares estiveram voltados principalmente para a vegetação do Semiárido, que com seu aspecto peculiar, apresentando amplas áreas cobertas de arbustos, cactos e arvoretas, certamente guarda exemplares importantes à espera de identificação e análise.
A Expedição Caatinga contou com a participação dos pesquisadores Sheylla Nadjane Lacerda, Samara
Alves Brito, Bárbara Silva Monteiro, Karla Brehnda Cabral Liberato, Jamilto Gama dos Santos, a dedicação do motorista Francisco José Araújo Silva, foi registrada em fotografia por Alécio Cezar, e os resultados científicos deverão ser divulgados posteriormente, em livro e documentário.
No entanto, como já afirmamos, o projeto inicial foi aos poucos sendo alargado. Não pelos pesquisadores.
Mas por uma força bem maior: o Sertão!
O Sertão conquista os olhares, pois quando silenciosamente avança, sempre sobra, transborda, e leva todos para o domínio da estética, e para o mergulho na fruição. Então a arte junta-se à ciência, sem moderação.
Escapando de seu foco, a câmera desembesta por campos planos, corre pelas linhas de montanhas, morros e rochas e registra caminhos longos e estradas que parecem infinitas. E uma paisagem que deveria ser seca, dura e terrosa, aparece quase azul, um azul que se multiplica em ondas de tons e semitons, um azul quase mar.
Ao receber as centenas de imagens que refletem essa região tão especial e ampla, descobrimos inseridos seus personagens, caminhantes da paisagem agreste ou guardados nas habitações e crenças. Com nosso reconhecimento ao trabalho realizado por Alécio Cezar, que tão bem soube captar a imensidão do silêncio na paisagem pouca, descobrir detalhes, rostos, casas e alvenarias, resolvemos reunir parte do material produzido para a edição deste livro que tem também a intenção de destacar a integração da Faculdade Santa Maria ao espaço geográfico que a circunda e sobretudo nossa relação afetuosa de pertencimento total à comunidade Sertaneja.
Vamos conversar? Estou a disposição para tirar suas dúvidas.
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